A Polícia Federal cumpriu, na terça-feira (10), um mandado de busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, em investigação que apura um suposto crime de perseguição contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. De acordo com a Polícia Federal, a apuração analisa publicações divulgadas pelo jornalista que teriam exposto informações consideradas sensíveis sobre a segurança e os deslocamentos do ministro em São Luís (MA). O processo tramita sob segredo de Justiça.
Na quarta-feira (11), o próprio jornalista confirmou, em seu blog, que foi alvo da operação da PF. Segundo ele, durante a ação foram apreendidos um computador e aparelhos celulares.
Luís Pablo afirmou ainda que não teve acesso completo aos autos do processo e disse que, por isso, não conhece todos os fundamentos da decisão judicial.
Informações do processo indicam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à investigação em 13 de janeiro de 2026. Posteriormente, em 12 de fevereiro de 2026, a presidência do STF determinou a redistribuição do caso ao ministro Alexandre de Moraes, a pedido do ministro Cristiano Zanin.
Em nota, o Supremo Tribunal Federal informou que, ainda em 2025, a equipe de segurança de Flávio Dino identificou indícios de monitoramento ilegal de seus deslocamentos em São Luís.
Segundo a Corte, publicações teriam divulgado placas de veículos utilizados pelo ministro, quantidade e identificação de agentes de segurança, além de outros detalhes sobre o esquema de proteção. As informações foram encaminhadas à Polícia Federal e à PGR, dando início à investigação.
O STF destacou que a apuração busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas à divulgação desses dados e afirmou que o caso não tem relação com crimes contra a honra, liberdade de expressão ou com o inquérito das fake news.
Entidades se manifestam
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticou a decisão e afirmou que a medida pode representar risco ao exercício do jornalismo no país.
A Comissão de Defesa da Liberdade de Expressão e de Imprensa da OAB do Maranhão (OAB-MA) também informou que acompanha o caso e reforçou a importância da proteção às garantias constitucionais relacionadas à atividade jornalística.
Fonte: Jota