O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu avaliação positiva ao anunciar o “Novo Desenrola Brasil”, conhecido como Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas. A iniciativa busca dar fôlego a milhões de brasileiros endividados e, ao mesmo tempo, evitar uma desaceleração mais intensa da economia.
Apesar do reconhecimento, aliados do governo apontam preocupação com a falta de sinalizações mais claras ao eleitorado de centro. Nos bastidores, há receio de que o presidente adote um tom mais confrontador, semelhante ao discurso apresentado no pronunciamento do Dia do Trabalho.
Na ocasião, Lula fez críticas a setores mais ricos da sociedade, empresários, membros do Congresso e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para interlocutores de partidos de centro que integram a base governista, esse tipo de posicionamento pode fortalecer a conexão com a base tradicional do petista, mas tende a afastar eleitores independentes — considerados decisivos em disputas eleitorais.
Um assessor presidencial avalia que, neste momento, a prioridade de Lula é recuperar o apoio de seu eleitorado mais fiel, essencial para garantir presença em um eventual segundo turno. Em seguida, a estratégia deve incluir uma abordagem mais moderada, com foco em estabilidade econômica, defesa das instituições democráticas e alertas sobre riscos políticos associados ao retorno de grupos ligados ao bolsonarismo.